Dos roteiros para o áudio

Atualizado: 15 de Fev de 2019


Não é de hoje que estou no fascinante mundo do desenvolvimento de games. Resolvi desembarcar neste planeta de assets e códigos por conta da minha habilidade com textos. Desde moleque sou apaixonado por leitura e escrita.


No início da adolescência, conheci os fanzines. Fiquei entusiasmado com aquele monte de informações que não se encontrava em mais nenhum outro lugar (na época não existia a internet, pelo menos não no Brasil, e não da forma como a conhecemos hoje) e resolvi editar meu próprio zine (veja mais sobre essa história aqui). A partir daí, o envolvimento com redação só aumentou. Editei outros zines, criei meus próprios blogs (aí sim, já na era da internê), cursei faculdade de Letras, passei a atuar profissionalmente como redator, escrevi para muitos sites e revistas, fiz pós-graduação em criação literária e até ministrei cursos de escrita e roteiro. E foi justamente o interesse por roteiros que me levou à Gamedevland.


Meu interesse por games surgiu mais ou menos na mesma época em que adquiri gosto pela leitura. Eu sempre estava rodeado de gibis e livros da Coleção Vagalume quando meu pai apareceu em casa com uma tevê nova (daquelas que pesavam uma tonelada), um videocassete e aquilo que fez meus olhos brilharem e o coração disparar: um Atari.


De lá pra cá, passei por praticamente todos os consoles. Não tive todos eles, é claro. Mas vivia jogando na casa dos amigos ou parentes. E ainda tive a sorte de ter amigos que tinham locadoras de jogos e outros que trabalhavam em casas de fliperamas. Eu já nem gastava mais dinheiro para conhecer tudo quanto era novidade. Foi lindo! Lembro de cada minuto com muito carinho.


A soma disso tudo despertou meu interesse pelo desenvolvimento de games depois de uns 25 anos. A princípio, por motivos óbvios, eu queria ser roteirista de games. Fiz cursos e estudei o assunto em profundidade. Por consequência, acabei me deparando com a área de programação e me empolguei. Lá fui eu estudar programação também. Depois me aprofundei em game design. Também estudei level design, um pouco de pixel art, um tanto de modelagem 3D, um tiquinho de animação e um bocado de Twine, Construct 2, RPG Maker e Unity. Infelizmente, e por diversas razões que não cabem aqui, meus games não passaram de protótipos. Mas a experiência foi válida. Lógico.


Por conta da dificuldade de conseguir uma equipe para trabalhar, eu estava um tanto desanimado com o desenvolvimento de games. Foi quando me deparei com uma área com a qual eu nunca havia me interessado antes: áudio para games. O que é curioso, já que, junto com a leitura / escrita e os videogames / jogos de mesa, sempre fui praticamente um obcecado por música. Acho que dá pra contar nos dedos os dias em que não ouvi música durante a minha vida. Foi por conta do rock que eu conheci os fanzines. Foi por conta dele também que conheci muitos escritores dos quais virei fã. E também por causa dele que conheci inúmeros estilos musicais que tornam a minha vida muito melhor. Enfim, está tudo ligado.


Quando a parte de game audio foi abordada em algum dos muitos cursos de desenvolvimento de games que fiz, eu já tocava um pouco de guitarra. Não dei muita bola para aquele lance de música pra games. Mas quando a água bateu na bunda e vi que programação talvez não fosse a minha praia – o que gerou bastante frustração –, comecei a cogitar novas possibilidades. E ao analisar com mais profundidade a criação de trilhas e efeitos sonoros para games... “Pô, taí! É isso o que eu quero pra mim!” Rolou tipo uma ‘eureca’, manja?


Peguei a minha biblioteca sobre desenvolvimento de games e li tudo o que havia relacionado à áudio. O interesse só aumentou. Afinal, como deixam bem claro os teóricos, o áudio é uma parte fundamental dos games, não só pela estética, mas como forma de comunicação, na criação de experiências únicas e para a tão almejada imersão. Mas isso é um assunto complexo para lidarmos em outro texto.


Depois das leituras, fiz cursos específicos sobre game áudio e rachei de estudar. Não somente o uso de uma DAW (digital audio workstation), mas também os fundamentos do áudio no game design, teoria musical, composição, produção musical (mixagem e masterização), sound design (criação de efeitos sonoros), equipamentos de home studio, foley, fluxo de trabalho, marketing (o que não foi muito difícil, já que trabalhei por mais de 10 anos como redator publicitário)… Aprendi até a tocar um novo instrumento, o teclado. E o aprendizado não cessa jamais. Quase que diariamente surge a necessidade de aprender algo novo, como plugins, orquestração, instrumentação, middlewares (para a criação de áudio dinâmico)… E por aí vai.


Não é uma profissão fácil de se aprender, já que envolve diversos conhecimentos. Mas justamente por ser tão ampla e variada é que a área de áudio para games é tão fascinante. Por isso me apaixonei e decidi que é com músicas e SFX que desejo trabalhar com games. Estou bastante satisfeito, realizado e disposto a chegar cada vez mais longe. E é por isso que decidi compartilhar minha experiência, seja para estimular os entusiastas do game audio ou para tornar ainda mais evidente para os desenvolvedores a importância dos sons nos videogames.


Temos muito o que falar daqui em diante. A cada semana vou buscar trazer algum assunto relevante que envolva música, efeitos sonoros e games. Textos direcionados a desenvolvedores, jogadores, pesquisadores de games, músicos, produtores musicais e, é claro, profissionais e entusiastas de áudio para games. Espero poder contar sempre com a sua atenção. E de preferência, ainda receber sua opinião.


Nos falamos mais em breve. Até semana que vem.


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